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  • Inês Ataíde Gomes

Amor é fogo que arde sem se ver



Amor é fogo que arde sem se ver

 

Sim, é o tal contentamento descontente, a tal dor que desatina sem doer -  dizia Camões.

O Amor...

 

Que outra linguagem, que não a dos poetas, para falar de amor?

Não há afirmação mais paradoxal. Se por um lado nomear um afeto tão multifacetado é efetivamente uma tarefa difícil, por outro “o amor” é um lugar universal. Todos amamos, todos sabemos (ou julgamos saber) do que precisamos para nos sentir amados, todos sabemos a dor da ausência de amor. Ou somos todos poetas (e quero crer que calhou uma pitada de poesia a todo o ser humano), ou não será necessário “dizer o amor”, indispensável sim, é vivê-lo!

Sabemos também que adoecemos por falta de amor, desde a depressão anaclítica (termo de Spitz correspondente à privação do amor da mãe – ou outro amor seguro e incondicional – nos primeiros meses de vida), ao vazio que se apodera de alguém que está em luto pela perda de uma relação significativa, e que pode surgir psicopatologicamente com muitas roupagens – a depressão, a ansiedade, a somatização, a descompensação psicótica.

Somos seres de relação.

 

Afinal do que falamos quando falamos de amor? (resignificando o título do livro de Raymond Carver)

 

Falamos de vínculos. Falamos de relação. Do que nos une. Dos vínculos de toda a natureza: familiares, de amizade, românticos, sociais.

O que faz cada individuo sentir-se pertença, visto pelo outro, validado, ...amado (assim voltando ao indefinido “Amor”)

 

E buscamos na literatura, na música, na experiência estética, na poesia, algo que abarque este conceito.

 

O Amor

 

"Há uma primavera em cada vida / é preciso cantá-la assim florida."

 

Diz-nos Florbela Espanca deste tão humano ímpeto de procurar viver intensamente.

 

A emoção, vivida no seu esplendor, é emoção partilhada. E não nos enganemos com floreados românticos, que sentir-se vivo é não ter medo de sentir um pouco de tudo, alegria, tristeza, surpresa, inveja, triunfo, indignação, paixão, dúvida, horror, tédio, desejo, zanga, raiva, ... E sentir é “sentir em relação a”, ou seja, é condição essencial a existência de “um outro”.

 

Viveremos nós os vínculos de forma substancialmente diferente nos dias de hoje? Se assim fosse conseguiríamos ver-nos revistos em Camões, Santa Teresa D’Ávila, Molière, Shakespeare, Bocage, Dostoiévski, Kafka, Virgínia Woolf, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Simone de Beauvoir, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder (espreitando assim rapidamente os últimos 500 anos de literatura)?

 

Tendo nós muita dificuldade em pensarmos muito fora da “nossa Era”, em pensarmos, ou até sabermos, o que seria corrente e ordinário em sociedades distantes – falo desde as tribos africanas, ou dos índios da amazónia, aos vikings, aos esquimós, às civilizações “clássicas” dos gregos ou dos romanos – poderemos ousar dizer que os “Vínculos de hoje” são de alguma forma particulares? Com todos os contactos virtualizados pelos novos canais de comunicação? Ou teremos encontrado apenas novas formas de chegar ao outro mas o que sentimos é na sua essência semelhante?

 

Pensar o Amor, ou pensar os Vínculos, dá “pano para mangas”!

 

E por isso – Vamos fazer um congresso!

 

Fica aqui feito o convite!

Apareçam. E vamos pensar ouvindo e também fazendo, ou não seriamos nós psicodramatistas!


Inês Ataíde Gomes

 

 

 

 

 

 

 

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